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21/04/2018 | 15:08 - Atualizada em 25/04/2018 | 16:57

Integrantes do Movimento Social do Campo ocupam fazenda na Ponte Alta

Os sem-terra reivindicam reforma agrária, alegam que a área é de terra devoluta e que só deixam o local com a ordem de reintegração de posse

Por Sérgio Santos | sergiosantos@pilarnews.com.br

Integrantes do Movimento Social do Campo ocupam fazenda na Ponte Alta

Os sem-terra montando barracas na Fazenda Pouso Alegre

Foto: Sérgio Santos

Cerca de 70 famílias pertencentes ao Movimento Social do Campo (MSC) ocuparam no início da noite desta sexta-feira (20) a fazenda Pouso Alegre no bairro da Ponte Alta, distante cerca de 20 km do centro de Pilar do Sul.

A fazenda tem 215 alqueires, cerca de 520 hectares - maior parte coberta por mata nativa, e pertence aos herdeiros de Roberto Guaraci Marques Pereira, morto em janeiro, e é administrada por um de seus filhos que reside em São Paulo.

Segundo Margarida Soares, líder do movimento, a ocupação foi feita de forma pacífica e o objetivo é forçar a desapropriação da área para fins de reforma agrária.

“Temos a informação que a área é irregular, improdutiva e que os herdeiros não tem interesse em produzir na terra. Estamos a fim de negociar a compra da fazenda pelo INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e assentar as famílias que aqui estão”, explicou.

A líder dos sem-terra disse que a ocupação foi previamente planejada e que, a partir de informações de um ex-funcionário da fazenda, descobriram que a documentação da propriedade está irregular e que a área, ou parte dela, seria devoluta - terra pública irregularmente integrada, ou incorporada, ao patrimônio de um particular.

O morador da fazenda, o aposentado Carlos Vieira Bueno, 68 anos, disse que por volta de 18h30 vinha para a cidade quando, na estrada do bairro do Claro, cruzou com um comboio formado por cerca de 15 veículos e motos. Depois, foi comunicado por um vizinho da ocupação e, assustado, avisou a Polícia Militar.

Ainda à noite a PM esteve no local e, após se inteirar dos objetivos do movimento e constatar que a ocupação era pacífica, orientou as partes e elaborou um boletim de ocorrência de averiguação de invasão.

A líder do MSC disse que o movimento não fez, e nem fará, qualquer depredação do patrimônio, ou abate de animais. “Nosso objetivo é acampar, negociar e assentar as famílias. Repudiamos qualquer forma de violência”, disse.

As 70 famílias acampadas são de cidades da região, Salto e Cotia. “Só sairemos daqui com uma ordem judicial de reintegração de posse, não sem antes, por meio de nosso corpo jurídico, recorrer da decisão”, afirmou Margarida.

Por volta de 7 horas da manhã de hoje a reportagem do Pilar News esteve no acampamento e constatou que não havia qualquer espécie de conflito, ou depredação do patrimônio.

O caseiro Carlos Vieira Bueno, que mora a cerca de um quilômetro do acampamento, disse que até aquele momento os sem-terra não tinham feito qualquer contato com ele. “Estão lá acampados, a gente houve daqui o falatório deles, mas não nos incomodaram não”.

Carlos é ex-funcionário da fazenda e, após se aposentar, fez um acordo com o ex-patrão para morar e cuidar da fazenda, que produz eucalipto e gado de corte. Em troca poderia manter seu próprio gado. Atualmente ele cria búfalos e produz leite de búfala, fonte de sustento da família.

O pecuarista disse que é a segunda vez que a fazenda Pouso Alegre é ocupada. A última foi há cerca de dois anos por um pequeno grupo, mas logo em seguida o proprietário conseguiu a reintegração de posse e a área foi desocupada. Há cerca de 5 anos uma propriedade vizinha também foi ocupada, também por um grupo pequeno, mas logo em seguida desocupada por ordem judicial.

Margarida Soares explicou que o Movimento Social do Campo (MSC) foi criado há cerca de 6 meses, conta com cerca de 600 integrantes e é uma dissidência de outro movimento de sem-terra. A base do MSC é Itapetininga, com quatro ocupações em Araçoiaba da Serra, Sarapuí, Itapetininga e, agora, Pilar do Sul.

“Nosso movimento é pacífico de luta pela terra. Queremos chamar a atenção para a reforma agrária e do direito do homem à terra. Realizamos diversas ações sociais, uma deles será no dia 11 de maio, quando nossos integrantes farão uma doação de sangue em massa ao Hemonucleo de Sorocaba”, disse.

Nenhum dos herdeiros da fazenda foi encontrado para falar com nossa reportagem.

1 comentário

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  • Juliana Maciel 21/04/2018 | 00:00

    "Terras devolutas são terras públicas sem destinação pelo Poder Público e que em nenhum momento integraram o patrimônio de um particular, ainda que estejam irregularmente sob sua posse. O termo "devoluta" relaciona-se ao conceito de terra devolvida ou a ser devolvida ao Estado" (http://www.oeco.org.br/dicionario-ambiental/27510-o-que-sao-terras-devolutas/) Portanto podem ser destinada a reforma agrária sim ... se as terras devolutas são da União o INCRA será o responsável... se forem terras devolutas do estado será a Fundação ITESP. Não se faz reforma agrária apenas em terras improdutivas mas tb em terras devolutas.

 
 
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